8 de abr de 2010

UNIDOS NA CEIA DA SENHOR

UNIDOS NA CEIA DO SENHOR


Jesus havia passado três anos e meio na terra entre os Seus discípulos. Eles O haviam visto curar. Haviam ouvido cada uma de Suas palavras. Juntos haviam andado, repartido os alimentos e as posses. Haviam ainda partilhado os seus sentimentos, seus fracassos e suas vitórias. Dormiam juntos e juntos acordavam. Desta forma, o último rosto que viam ao dormir, era o rosto de Jesus, e Seu era o primeiro semblante que divisavam em cada amanhecer. Aparentemente viviam numa perfeita comunidade.
Porém agora chegara o momento crucial. Jesus seria arrancado bruscamente da companhia de Seus amigos. Era a hora da prova final, onde cada um deveria agir por si mesmo.
A experiência de apenas caminhar, estar ao lado de Jesus, não seria suficiente numa situação como esta. Na prova final o que importava era tê-lO dentro de si, vivendo em cada um deles, através de Suas palavras guardadas e vividas, Seu amor e companheirismo recebido.
Jesus sabia dito. Angustiava-se com o fato de Seus discípulos estarem ainda tão longe da realidade urgente. Havia ainda entre lês ciúmes, rivalidades, ressentimentos, divisão, orgulho e dissensão. Ainda se perguntavam: -“Quem de nós será o maior no Seu reino? Quem de nós se assentará à Sua direita e à Sua esquerda, quando o Mestre se tornar Rei e se assentar em Seu trono?”
Como poderia Jesus nesta última hora ainda ensinar-lhes? Ensinar-lhes a difícil lição da união?
Era quinta-feira à noite. Eles adentram no cenáculo para a festa dos pães asmos. Todos se assentaram à mesa para a ceia. As circunstâncias favoreciam mais ainda o clima de desunião, afinal, alguém se esquecera de contratar um servo para o humilde serviço de lavar-lhes os pés. Um judeu jamais poderia assentar-se para comer, sem primeiro lavar os pés. Mas, quem se humilharia a tal ponto?
Jesus falara mito sobre a necessidade de humildade. Ele dissera; “O servo não é maior do o seu senhor.” @@@@@@@ “Quem quiser ser o primeiro, seja aquele que serve” @@@@@
Mas Jesus não apenas falara. Ele ilustrara. Um dia, o Mestre tomara uma criança pequena e a colocara no meio deles dizendo: “Se não vos tornardes como uma criança, jamais entrareis no reino dos céus.” @@@@@@
Porém ver e ouvir apenas com os olhos e ouvidos, mas sem guardar no coração, não produzem uma mudança significativa. Se viermos à igreja e ouvrimos cada mensagem, ou a pregarmos até, mas apenas com a boca, os olhos e os ouvidos... E não a vivermos em nossa vida, para nada adiantará este conhecimento apenas intelectual.
Por isso Jesus chegou a um ato extremo: Ele tomou a toalha e passou a lavar-lhes os pés, dizendo-lhes: Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu sou. Ora, se eu, sendo o senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior do que o seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou. Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se a s praticardes.” João 13: 13-17
Jesus, o Salvador, o rei do Universo, o Grande e Poderoso Deus, pegou uma toalha...
Ele poderia ter pegado uma coroa – porque depois de ter alimentado os cinco mil, a multidão queria coroa-lO rei. Poderia, pois, estar no trono, governando o povo.
Ele poderia ter pegado uma espada – porque quando Pedro cortou a orelha de Malco, Jesus lhe disse: -“Acaso pensas que não posso rogar a Meu Pai, e Ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos?”
Naquela última ceia, os discípulos ainda contendiam pelo primeiro lugar. Jesus tantas vezes lhes falara, procurando despertar neles o espírito de humildade que Ele mesmo manifestava...
Mas falhando todos os esforços – pegou uma toalha. Nunca mais os discípulos discutiriam a respeito do primeiro lugar. Este ato de Cristo ensinou-lhes mais em poucos minutos do que tudo quanto lhes dissera a respeito no passado.
Quão desconfortáveis eles se sentiram. Pedro, por exemplo, resolveu disfarçar a sua vergonha, o seu desconforto. Os outros nada disseram, mas sentiram a mesma insatisfação consigo mesmo.
Jesus pegou uma toalha para unir o Seus discípulos e nós? Esta é a primeira lição significativa a aprendermos do ato que daqui à pouco participaremos juntos.
A segunda lição é também importante e está intimamente ligada à primeira.
Jesus mostrou nesse seu ato que só o conhecimento sobre um determinado assunto, não modifica a conduta, faz-se necessária uma experiência pessoal.
Ali estavam: Pedro, André, Tiago. João, Judas, Filipe, Natanael, Mateus, Bartolomeu, Simão e Tadeu. Todos haviam passado o mesmo tempo com Jesus e vivenciado junto, cada situação. Mas, quanto na realidade haviam eles absorvido para sua experiência espiritual pessoal?
Quando Jesus separou-Se deles, naquela noite todos foram duramente provados. Cada um demonstrou na prática o que realmente havia aprendido.
Judas, foi o primeiro a ser provado e miseravelmente fracassou. O seu problema é que todo o tempo em que estivera com Jesus, estivera apenas ao lado dEle, mas não unido à Ele. Sua posição jamais fora de um aluno, um discípulo.
Ellen White o descreve como um homem de imponente aparência, perspicaz, de habilidade executiva. Judas era alguém que atraía as almas para si. Porém, era egoísta, crítico e presunçoso a tal ponto que se julgava mais sábio que o Mestre. Judas era ladrão, amava o dinheiro, era ambicioso e acusador.
Seu maior problema na realidade era o orgulho, queria e agia de forma independente. Julgava-se em elevada estima, era da Judéia, e não do interior, a Galiléia, como a maioria dos demais. Considerava-se melhor e seus irmãos, como inferiores. Confiava em sua própria capacidade de discernimento. Procurava confundir os discípulos apresentando-se como aparentemente consciencioso. Excitava os desejos ambiciosos, já que geralmente era ele quem iniciava as conversas sobre quem de nós maior no reino?
Por sua maneira independente de agir e de pensar, por não querer unir-se verdadeiramente ao grupo de discípulos e nem a Cristo, quando chegou a prova final, Judas foi reprovado.
Seu teste final se deu na cerimônia da humildade. Como os demais do grupo, Judas sentia-se atraído, seu coração comoveu-se intensamente quando percebeu o amor de Jesus por si. Ao ver Cristo lavando os pés poentos, sentiu o impulso de confessar ali, naquele momento o seu pecado. Mas não queria humilhar-se, parecer igual aos demais. Endureceu então o seu coração contra o arrependimento. Seus velhos impulsos o dominaram novamente. Escandalizou-se por Jesus Se humilhar a tal ponto. Convenceu-se de que nada tinha a ganhar seguindo o Mestre, pois não poderia ser Ele o Rei de Israel, era humilde demais para tal posição.
O caminhar de Judas com Cristo, o ouvir-Lhe as palavras, não modificaram seus instintos, não transformaram o seu caráter.
Prezados irmãos, quantos de nós como Judas queremos ser diferentes, desejamos opinar, interpretando as coisas ao nosso modo, de acordo com as nossas idéias pessoais.
Entretanto, só há segurança na Palavra de Deus. Quando a igreja de Deus estiver firmemente unida em suas crenças. Quando cada membros da igreja estiver intimamente ligado à Jesus, não precisamos temer as duras provas que virão. Seremos aprovados. E então poderemos participar também juntos da grande festa comemorativa, na ceia dos céus.
Naquela quinta-feira à noite, Jesus afirmou: “ desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que hei de beber de novo, convosco no reino de meu Pai.” (Mat.26:29)
Aqueles que permanecerem unidos à Jesus, poderão unidos com os salvos de todos os tempos, participar desta festividade no céu.
Que Deus nos habilite para isso. Amém!

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