10 de abr de 2010

ENFRENTANDO OS NOSSOS MUROS

ENFRENTANDO OS NOSSO MUROS


“Cantai, ó céus, alegra-te, ó terra, e vós, montes, rompei em cânticos, porque o SENHOR consolou o seu povo e dos seus aflitos se compadece. Mas Sião diz: O SENHOR me desamparou, o Senhor se esqueceu de mim. Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei; os teus muros estão continuamente perante mim” (Isaías 49.13-16).

Muitas vezes em nossas vidas ficamos impedidos de progredir. Alguma coisa ou algo nos impede a caminhada que estávamos habituados a realizar. Parece que somos impedidos como que se um muro estivesse a nossa frente.

Na Palavra de Deus, os muros são encontrados nos fornecendo inúmeras lições práticas. Lições essas que nos ajudarão a vermos onde estamos e como enfrentarmos os muros que sobrevêm à nossa vida.

No Velho Testamento a palavra “muro” ocorre 155 vezes. Dessas ocorrências, encontramos mais proeminência em Isaías, 15 vezes; em Ezequiel, 20 vezes e em Neemias, 30 vezes. No Novo Testamento, a palavra “muro” curiosamente não é mencionada. Mas encontramos uma palavra derivada, “muralha” por 24 vezes, e destas, 6 vezes em Apocalipse.Muitas vezes, ao ouvirmos a palavra “muro” nos deparamos com dois tipos de pensamentos:

1) Proteção: muro nos dá segurança, proteção, abrigo, limita algo que nos pertence.
2) Limitação: podem pensar em prisão, problemas que não encontra nenhuma solução.

Ambos os pensamentos acima estão corretos. Ambos tem fundamento.

Ao olhar para os personagens bíblicos verifico que havia muitos muros em suas vidas. Um dos que mais chama a atenção, pela quantidade de muros que lhe sobrevieram fora José.

Notemos: José era reconhecidamente o filho preferido de seu pai, Jacó. O motivo para isto era que ele era o filho de Raquel, filho de sua velhice (Gênesis 30.22-24; 37.3). Este amor de Jacó para com José se tornou num Muro de Proteção. No entanto, seus irmãos o invejavam, literalmente odiavam a ele por causa desse amor que Jacó tinha por ele. Esse ódio chegou a tal ponto de quererem matá-lo e sendo assim chegaram até a elaborar um plano para executar tal malvadeza. Porém, ao invés de executar o plano, eles o venderam como um simples escravo. Fora levado para o Egito e depois de muitos acontecimentos em sua vida fora lançado numa prisão por fazer a vontade de Deus. Na prisão fora esquecido, mesmo depois de ter feito bem na interpretação dos sonhos dos servos de Faraó. Todos estes acontecimentos na vida de José foram Muros de Provação.

Diante de tudo isso, qual fora a atitude de José? Será que José chegou a pensar que sua vida era um fracasso? Uma decepção? Que as coisas estavam fora de seu controle e por isso nunca teria a vitória?

Vejamos o que seu pai Jacó disse sobre ele: “José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus galhos se estendem sobre o muro. Os flecheiros lhe dão amargura, atiram contra ele e o aborrecem. O seu arco, porém, permanece firme, e os seus braços são feitos ativos pelas mãos do Poderoso de Jacó, sim, pelo Pastor e pela Pedra de Israel” (Gênesis 49.22-24).

O pai de José sabia que mesmo que os muros fossem grandes fortificações contra sua vida, ele sabia que José confiava em Deus e contra esses muros sempre foi vencedor.

E o que o próprio José achava disso tudo? José sabia que era Deus quem conduzia sua vida. Que era Deus quem trabalhava em sua vida. Que era Deus quem realizava as coisas de modo que tudo se encaixasse na Sua perfeita vontade. Veja a resposta dele aos seus irmãos depois da morte de seu pai, pois estes temiam que agora ele iria se vingar: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida” (Gênesis 50.20). Nosso Deus é maravilhoso! Ele transforma nossas decepções, nossas dificuldades e nossos pesares e até mesmo o ódio de nosso coração de tal maneira que no final só podemos vir a dizer: Meu Pai Celeste fez tudo bem! “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8.28).

I) Um Muro Duplo

“Estando Josué ao pé de Jericó, levantou os olhos e olhou; eis que se achava em pé diante dele um homem que trazia na mão uma espada nua; chegou-se Josué a ele e disse-lhe: És tu dos nossos ou dos nossos adversários? Respondeu ele: Não; sou príncipe do exército do SENHOR e acabo de chegar. Então, Josué se prostrou com o rosto em terra, e o adorou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo? Respondeu o príncipe do exército do SENHOR a Josué: Descalça as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é santo. E fez Josué assim. Ora, Jericó estava rigorosamente fechada por causa dos filhos de Israel; ninguém saía, nem entrava” (Josué 5.13 a 6.1).

A poderosa cidade de Jericó era protegida por dois muros. Esta fortificação era o orgulho da cidade. Quem intentaria conquistar uma cidade tão bem protegida assim? Esses muros possuíam a altura de 8 a 10 metros e eram tão largos que dois caminhões podiam facilmente andar um ao lado do outro sobre esses muros. Que grandiosidade!

Deus havia dito ao povo de Israel para avançar e conquistar. Agora, Josué, juntamente com toda a nação de Israel estavam diante desse enorme desafio, estavam diante desses fortes muros, literalmente uma muralha. Basta lembrar que eles não possuíam nada das armas modernas como tanques de guerra, bombas, mísseis, aviões, etc. Portanto, humanamente falando era uma situação impossível de vencer.

Amigo, você já teve problemas parecidos com muralhas em sua vida?

Pode ser problemas conjugais, problemas no namoro, problemas pessoais, problemas financeiros. Pode ser o caso de uma inimizade em que mesmo que tente conversar com a outra pessoa, o resultado é que ela sempre lhe vira as costas. E com certeza você gostaria que tudo voltasse a ser como era antes. A Palavra de Deus diz: “O irmão ofendido resiste mais que uma fortaleza; suas contendas são ferrolhos de um castelo” (Provérbios 18.19).

Somente Deus pode e muda situações assim! O que fazer então? Temos que entregar nosso problema a Deus, ouvir Seus conselhos na Palavra de Deus e então, fazermos o que inúmeras vezes sequer fazemos: ficar calmos, esperar em Deus.

II) Os Muros Caem

“Gritou, pois, o povo, e os sacerdotes tocaram as trombetas. Tendo ouvido o povo o sonido da trombeta e levantado grande grito, ruíram as muralhas, e o povo subiu à cidade, cada qual em frente de si, e a tomaram. Tudo quanto na cidade havia destruíram totalmente a fio de espada, tanto homens como mulheres, tanto meninos como velhos, também bois, ovelhas e jumentos” (Josué 6.20-21).

Quando nos colocamos diante de Deus e lemos a Sua Palavra com o coração voltado para Deus, esperando de Deus uma resposta ou simplesmente deixando que Ele mostre o que precisamos e não o que queremos, algo extraordinária acontece. A Palavra de Deus nos motiva a agir.

Como os israelitas poderiam derrubar os muros que foram construídos com tanta segurança ao redor de Jericó? Como poderiam derrubar aquela muralha? Seria isso possível?

É claro que olhando com os olhos humanos isso seria totalmente impossível. Lembre-se que eles não dispunham de nenhum material bélico. Não dispunham de nada, absolutamente nada, por isso, aos olhos humanos, seria impossível.

Temos que aprender uma importante lição aqui. A fé, recebe a vitória. Sempre foi desta maneira e ainda hoje continua sendo desta forma.

Com fé, os muros caem. E isto acontece exatamente da forma como Deus havia dito. Os israelitas tinham que reconhecer que a conquista desses muros não fora mediante a força humana e nem pela sabedoria de homens, foi unicamente obra e poder de Deus. Os muros caíram porque Deus interveio, porque Deus trabalhou.

III) Muros Destruídos

“As palavras de Neemias, filho de Hacalias. No mês de quisleu, no ano vigésimo, estando eu na cidadela de Susã, veio Hanani, um de meus irmãos, com alguns de Judá; então, lhes perguntei pelos judeus que escaparam e que não foram levados para o exílio e acerca de Jerusalém. Disseram-me: Os restantes, que não foram levados para o exílio e se acham lá na província, estão em grande miséria e desprezo; os muros de Jerusalém estão derribados, e as suas portas, queimadas” (Neemias 1.1-3).

A nação de Israel havia pecado diante de Deus e isto os levou a deixar o verdadeiro Deus. Não se santificaram, não buscaram conhecer a Deus e isto trouxe conseqüências sérias para toda a nação.

Nessa altura da história da nação, os muros da cidade de Jerusalém estavam destruídos, com isso, a cidade ficou desprotegida. Lembre-se que nessa época, as cidades erguiam muros em seu redor para sua proteção. E Jerusalém estava sem esses muros que tanto auxiliavam, portanto, estavam à mercê de qualquer ataque.

Meu amigo, você já se sentiu triste por alguma coisa quebrada? Já passou pela tristeza de ter alguma coisa, mesmo de pouco valor, sendo quebrada? Quando coisas que gostamos se quebram, a tristeza é inevitável.

E quando a confiança desmorona? E quando a esperança também se desmorona? Quando uma amizade é destruída? E o pior de tudo, quando nosso relacionamento com Deus também se desmorona? Querido, o romper com Deus causa e causará inúmeros problemas para nós mesmos. Como nós podemos repará-los? Como podemos reconstruir?

Observe, a Bíblia nos dá a resposta. Como foi que Neemias agiu? Qual foi a atitude tomada por ele para reconstruir o que estava destruído? Ele simplesmente levou tudo a Deus. Entregou tudo a Ele. Contou-lhe todo o pesar do seu coração, toda sua tristeza e depositou aos pés do Supremo Construtor. Deus deve ser digno louvor em qualquer circunstância e em qualquer situação de nossas vidas. Por mais duro e difícil que isso possa ser, Ele é digno!

Qual a resposta de Deus? Ele atendeu a tristeza do coração de Neemias. Os muros foram reconstruídos e mais tarde, o templo e a cidade reedificada (Neemias 6.15; Esdras 6.13-18).

Meu amigo, o que está quebrado em sua vida? Existe algo que precisa ser reconstruído? Algo a ser reedificado? Entregue isso a Deus, Ele sabe o que fazer com seus cacos.

IV) Procuram-se Pedreiros

“Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei” (Ezequiel 22.30).

Algumas vezes, sem o nosso querer, somos colocados diante de muros. Da mesma forma, nos colocamos diante das pessoas como muros. Quando assim o fazemos podemos estar agindo de forma positiva ou mesmo negativa. Agimos de forma positiva quando nos colocamos como muros de abrigo, como muros de proteção para alguém, como muros de auxílio na hora da provação, como um muro amigo diante dos problemas. Agimos de forma negativa quando usamos o muro da rebelião, da ameaça, da mentira.

O profeta Ezequiel nos descreve algo surpreendente. Deus estava procurando homens, estava procurando pedreiros para tampar a brecha do muro. Mas Deus não queria simples homens. Ele queria homens que se colocassem para tampar o muro da injustiça que estava reinando na nação. Homens que dissessem um forte “não” contra a mentira, contra a ganância, contra a impureza, contra aqueles que dizem falar a Palavra de Deus quando este não falou nada, contra a extorsão, contra o roubo. Veja como a nação de Israel havia esquecido e deixado Deus de lado, por isso começaram a praticar as mesmas coisas que as outras nações faziam (Ezequiel 22.23-29).

Deus estava procurando um único homem para acabar de vez com todo esses pecados do povo. Mas Ele não achou um único homem.

Hoje, Deus continua a procura desses homens! Hoje, Deus ainda continua procurando “pedreiros” para tampar a brecha. Homens que estejam dispostos a servir a Deus com todo seu coração e não por ganância. Com motivos corretos, e não para seu próprio engrandecimento e glória.

Quer ser este homem? Quer se colocar diante de Deus para ser usado por Ele?

V) Deus Não Se Esquece de Seus Muros

“Eis que nas palmas das minhas mãos te gravei; os teus muros estão continuamente perante mim” (Isaías 49.16).

Quero concluir com este pensamento animador. Com esta declaração sem igual de Deus. Uma maravilha que nunca deveria sair de nossos ouvidos, de nossas mentes, de nosso coração: “Deus nunca, jamais se esquece de nossos muros”.

Não importa o que esteja passando, não importa o que esteja sofrendo, Ele sabe e não esquece. Ele está aí para trabalhar contigo na edificação de um muro forte, saudável.

Querido amigo, quais são os seus muros? Quais são os muros que te amedrontam, que te destroem, que te prendem? Você tem construído muros de proteção? Tem construído muros de amor, de perdão, de abrigo, de auxílio? Lembre-se sempre disso: Deus conhece os seus e os meus muros. E além disso, Deus faz muito mais além de conhecer nossos muros: Ele me ajuda a derrubar os muros que não prestam e me ajuda a construir os muros que ajudam a outros. Entregue todos os seus muros nas mãos de Deus!

“Reine paz dentro de teus muros e prosperidade nos teus palácios” (Salmo 122.7).

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